Vale a pena encarar a queima de fogos em Copacabana?

Depois de mais de doze anos, resolvi novamente assistir a queima de fogos em Copacabana. Desta vez, vindo de outro bairro, encarando transporte público, nada que precisei fazer nas outras vezes que presenciei o evento.

Quando morava em Copacabana, tudo era fácil. Recebia os amigos, saía de casa por volta de 23:30, assistia os fogos tranquilamente e antes de uma da manhã já estava em casa de novo.

Eu sempre gostei de assistir aos fogos de ano novo. Mas, por força maior, desde que saí do bairro nunca mais tive a oportunidade. Os hotéis ficam com preços absurdos. Um em que pago R$130 pela diária fora de temporada, cobra R$3000 por cinco dias durante o período do rèveillon. O pique para sair de Petrópolis durante a tarde e depois ficar esperando na rodoviária até as 5 da manhã pelo primeiro ônibus, também não existe.

Até que este ano surgiu uma oportunidade de hospedagem gratuita e posso dizer que valeu muito a pena.

A principal coisa que você precisa fazer é se organizar para chegar ao local de transporte público. Eu estava em Ipanema e comprei o bilhete especial do Metrô. O horário que escolhi foi o período entre 22 e 23 horas porque fiquei com medo de estar muito cheio, filas, essas coisas.

Só que ao chegar na estação Nossa Senhora da Paz foi justamente o contrário. Os seguranças pediam para verificar os cartões e pronto. A estação estava bem vazia pois o intervalo entre os trens era bem pequeno. Em menos de 10 minutos chegamos na estação Siqueira Campos. Antes das 23 horas, já estava na areia da praia aguardando a queima.

Assistir os fogos ao vivo é uma experiência única. Pela TV não se tem como ter noção do que acontece nas areias de Copacabana. É um show que todos devem assistir ao menos uma vez na vida.

Portanto, se você assim como eu, tinha medo de encarar a festa usando transporte público, perca esse medo! Compre os bilhetes antecipados do metrô e programe-se. Se eu morasse no Rio, não perderia nunca mais!

Se ano que vem, rolar a opção de hospedagem de novo, estarei lá com certeza!

Promessas, promessas e promessas…

Desta vez não quero prometer nada. Como você pode ver aí no histórico deste blog, a última postagem aconteceu há mais de um ano.

Hoje, dia 1 de Janeiro não vou fazer mais promessas. Não vou ficar prometendo escrever neste blog todos os dias. Não vou começar mais um projeto para abandoná-lo em cerca de algumas semanas.

Ao invés de promessas, quero fazer um compromisso comigo mesma. Escrever quando der vontade, escrever sempre.

Escrever pra mim é um exercício e tanto. Tanto no blog quanto usando papel e caneta. Sempre gostei de agendas, diários e afins.

Depois de mais de 10 anos, consegui assistir aos fogos de Copacabana novamente. Passou um filme na cabeça e também serviu para “dar um boost” de energia e encarar novos desafios este ano.

Que em 2018 as coisas sejam diferentes. Que eu consiga trazer mais algumas linhas para este blog. Menos promessas, mais ações.

Saudades blogagem marota.

A gente nunca desiste…mesmo!

Esta sou eu tentando mais uma vez começar um blog “pessoal”. Lá atrás, quando blogar era uma atividade simples, sem maiores pretensões, todos os blogs eram considerados “pessoais”. Ninguém pensava em construir audiência, ninguém pensava em quanto cobrar por um publieditorial, se o Google tava indexando os posts, SEO e outras coisitas mais. Blogar era apenas…blogar!

Hoje, as coisas são bem diferentes. Quem começa um blog já pensa em ganhar dinheiro, receber presentes, ser popular. Pra falar a verdade, muitos já consideram blogs coisa do passado. O negócio agora é criar canal no YouTube e ser reconhecido quando sair na rua.

Blogar por obrigação

Você pode não acreditar, mas eu nunca criei blog pra ficar famosa. Mas, pra ganhar dinheiro? Talvez. Ainda mais quando me vi obrigada a largar tudo e ter que ficar em casa para cuidar do meu pai nos seus últimos anos de vida. Mas eu confesso que sempre gostei de ter um espaço para ser livre e escrever qualquer bobagem que me desse vontade. Alguns dos meus melhores textos saíram justamente nos blogs que tive nos falecidos Weblogger e Blogger.com.br (Aquele que era gerenciado pela Globo.com e não o Blogspot).

Eu sinto saudade.

Sinto saudade daquela época boa, daquela época sem compromissos com números, sem a necessidade de responder emails (muitas vezes com propostas bizarras) de agências de publicidade.

Já adianto que esse blog vai se manter assim, como se fosse um rascunho. Para jogar as ideias, para conversar com a tela, pra fazer bagunça. Preciso de um espaço para me motivar a continuar escrevendo sem compromisso. Pra relaxar.

Na semana em que matei as saudades do Rio, nada como matar as saudades da “blogagem moleque” como muitos costumavam chamar.

Mas você paga para acessar um site na internet???

Esta foi a pergunta que um amigo me fez quando mencionei que assinava um blog de tecnologia. Eu sinceramente não entendi muito o espanto, mas o fato é que o brasileiro ainda não tem (muito) a cultura de pagar para consumir conteúdo. Netflix e Spotify parecem mudar um pouco o cenário, mas ainda há muito que se caminhar.

O blog de tecnologia em questão é o Manual do Usuário. Criado pelo Rodrigo Ghedin, tem uma filosofia diferente. O objetivo principal não é replicar notícias de sites gringos e inflar o site com conteúdo nem sempre interessante. Como o próprio autor define, ele tem o formato “Slow Web”, ou seja, é focado em selecionar e estudar melhor os assuntos antes de publicá-lo.

Em resumo: O Manual do Usuário não é um site onde você vai cinco, dez notícias por dia. Mas vai encontrar ao menos uma discussão de qualidade por semana.

E cá entre nós, para saber qualquer fofoca de tecnologia, basta abrir o feed do Facebook. Todo mundo replica praticamente a mesma coisa.

Agora, se ele não traz notícias, o que te leva a pagar para acompanhar o site?

As respostas são bem simples:

  • Acompanho o trabalho do autor desde os tempos do WinAjuda, que acredito eu, tenha sido um dos seus primeiros (ou o primeiro?!) projeto de blog/site. O site em questão me ajudou muito na época e nunca tive oportunidade de agradecer por isso. Então antes tarde do que nunca.
  • As discussões são de nível elevado. Acho que justamente por filtrar mais o conteúdo, as conversas na área de comentários são bem mais interessantes e muitas vezes agregam ainda mais conteúdo. Pode-se dizer que existe uma comunidade dentro do site.
  • Acho justo colaborar quando há um trabalho bacana.
  • O suporte dos leitores torna o site ainda melhor. Acho que quando gostamos de algo cuidamos. Sei que o pouco que contribuo irá ajudar o autor a trazer melhor conteúdo, pagar um servidor decente e outras coisas que envolvem a manutenção do site. Só para ter uma ideia, não há nada mais irritante do que precisar fazer uma consulta e o site estar fora do ar? Pois é.
  • O mais legal de tudo? A newsletter semanal! Meu tempo precisa ser otimizado e a newsletter cai como uma luva trazendo um resumo de tudo que aconteceu por lá. É uma escrita pessoal. Parece um amigo que está te enviando coisas bacanas. Nada de robôs criando e-mails automáticos.

Tempo é dinheiro e o barato sai caro. O Manual do Usuário funciona (ao meu ver) como um site personalizado. Se você também já cansou da mesmice de sempre, não custa colaborar com quem trabalha sério e não tem medo de errar.

Vai valer muito a pena. 🙂

Parenthood, a minha mais nova queridinha

No último dia 29 de Janeiro de 2015, chegou ao fim nos Estados Unidos a série Parenthood. No Brasil, transmitida pelo GNT, não sei se ela chegou a ter um sucesso muito grande.

Parenthood

Eu pelo menos, nunca dei muito valor para tal série.

Sempre me lembro de cenas fortes nas chamadas do canal brasileiro que davam todo o tom de drama, mas acompanhando tantas séries ao mesmo tempo, acabei deixando pra lá.

Aí veio o final da série e choviam comentários na minha timeline do Facebook sobre o quanto Parenthood era boa e que ia deixar saudades.

No dia seguinte iniciei uma maratona como nunca antes na vida. A primeira temporada matei em três dias e por conta do aumento de trabalho, a segunda tá um pouco mais devagar, até porque tem mais episódios também.

E o que posso dizer de Parenthood em tão pouco tempo?

É uma das séries mais bacanas que eu já vi na vida. Parenthood é apaixonante. É uma daquelas séries sobre família em que você acaba se vendo em diversas situações. Os Braverman conquistam seu coração e você fica querendo saber o que vai acontecer com tal personagem, aquele mantra de “só mais um episódio” fica na sua cabeça e pronto! Saiba que você já está viciada em Parenthood.

Agora, vou assistir mais um “capítulo”. Quando eu terminar a série, o que acredito que não irá demorar muito, eu volto com as considerações finais.

Enquanto isso, deixa eu ir na farmácia comprar uma caixinha ou caixinhas de lenços de papel. =)

A vitória do New England Patriots no Super Bowl 49

Eu sempre gostei de esportes. Acho que acabei sendo influenciada pelo meu pai. Desde os meus cinco anos de idade, me levava para assistir jogos de futebol em São Januário (estádio do Vasco da Gama) e também no Maracanã. Ah, antes quer perguntem, não, eu não torço para o Vasco. O único time de futebol que me interessa é o Chelsea, da Inglaterra. =)

Com o passar do tempo, fui gostando de outros esportes. Tanto que abro mão dos canais de filmes na TV por assinatura, mas não abro mão dos canais esportivos e o futebol acaba dominando minha preferência. Acompanho a Premier League, a Championship (segunda divisão inglesa), a Bundesliga, a UEFA Champions League e por aí vai. Também curto muito esportes americanos, em especial, a NFL.

Muita gente fala que não vê graça no esporte porque acha que futebol americano é só “tiro, porrada e bomba”. Mas não é bem assim. Depois que você ENTENDE o jogo e as regras, tudo se torna mais fácil e não há como não curtir.

No último domingo (01/02), tivemos o tão falado “Super Bowl”, que é a grande final da temporada envolvendo o time que eu escolhi torcer, o New England Patriots e o Seattle Seahawks.

Eu não escolhi torcer para os Patriots por causa do Tom Brady ou porque ele é casado com uma brasileira. Desde que comecei a acompanhar o esporte e assistir jogos de praticamente todos os times, sempre tive mais afinidade com o time de Boston do que com qualquer outro. Mas é claro que as jogadas feitas pelo Tom Brady fazem qualquer um curtir o time.

E nada me tira a alegria de saber que eu tive a chance de ver o New England jogar ao vivo. Tudo bem que foi em Londres, mas foi um jogo oficial da NFL e com Tom Brady em campo.

Voltando a falar do jogo do último domingo, o que dizer da partida? Foi uma das mais espetaculares que eu vi. Confesso que depois de ver Brady sofrer duas interceptações e ver Russell Wilson acertando todos os passes longos, eu temia pelo pior. Mas, por um momento esqueci que quem estava do outro lado era Brady e ele é um cara capaz de fazer milagres.

A sorte de campeão

O primeiro milagre aconteceu quando a pouco mais de dois minutos do fim, os Patriots marcaram o touchdown que virava o jogo. Mas ainda faltavam dois loooongos minutos. Sempre dizem que todo campeão trabalha duro e também tem um pouquinho de sorte. O Seahawks estava a uma jarda de ganhar o Super Bowl pela segunda vez consecutiva mas a sorte de campeão falou mais alto.

New England Patriots
Butler e a melhor jogada da sua vida. (Foto: Reuters)

Me aparece o Butler que nunca fez uma interceptação na vida e acaba fazendo aquela que pode ser a jogada mais importante de toda a sua carreira. Em questão de segundos, os Patriots que estavam com o jogo praticamente perdido, se tornam campeões do Super Bowl.

É por isso que eu gosto tanto desse esporte.

Das coisas de Londres que eu sinto falta

Já faz mais de um ano que voltei de Londres e estaria mentindo se eu falasse pra vocês que eu não sinto saudade. Eu sinto, de algumas coisas muito mais do que outras, é verdade. Mas como me disseram outro dia, você pode sair de Londres, mas Londres não sai de você.

Tô começando a achar isso a mais pura verdade…

Pra diminuir um pouquinho esse sentimento, resolvi listar aqui no blog as coisas que mais sinto falta da Terra da Rainha:

Luz do dia até altas horas da noite durante o horário de verão

Luz do dia em Londres

Lembro desta foto como se fosse ontem. Eu estava indo ao supermercado por volta de 20:40 e o dia ainda estava completamente claro. Tudo bem que no inverno às 3 da tarde já estava noite, mas no verão… a luz natural se mantinha até umas 21:30 na grande maioria das vezes. Eu adoro horário de verão e lá gostava muito mais.

Ir ao Stamford Bridge assistir os jogos do Chelsea

Jogo do Chelsea

Eu torço pelo Chelsea e nada como poder ir ao estádio assistir aos jogos do time. Eu tive a oportunidade de assistir batalhas épicas em grandes jogos que fui. Hoje, quando vejo os jogos pela TV, dá um aperto enorme de não poder estar lá.

Era sempre um ritual, sair de casa umas duas horas antes do jogo, pegar o metrô, descer literalmente na porta do estádio, comer algo no Pizza Express ou então o hot dog mais sem graça do mundo no estádio mesmo e depois curtir o jogo. Às vezes ainda rolava uma passadinha na loja do clube para conferir as promoções.

Assistir jogos da Champions League ao vivo

Jogo da Champions League

Quem gosta de futebol, curte a Champions League. Depois que você assiste o primeiro jogo da competição no estádio, não quer mais parar. E ouvir aquela musiquinha antes dos jogos, arrepia!

Comprar coisas gostosas no Marks&Spencer

Marks and Spencer

O Marks&Spencer é um dos supermercados mais caros da Inglaterra, mas também oferece os melhores pratos e coisas gostosas. Pelo menos uma vez por semana eu passava pela filial que tinha perto de casa e comprava “algumas coisinhas”. Os pratos prontos então me salvavam um tempo durante a semana, pois bastava tirar da geladeira e colocar no forno para aquecer. O melhor de tudo é que praticamente todos eles não tem aquele gosto de comida congelada.

Os cookies da Millie’s Cookies

Millie's Cookies

Simplesmente os melhores cookies do universo. Principalmente se você consegue chegar na loja na hora certa e pegá-los quentinhos.

Os donuts da Krispy Kreme

Krispy Kreme

Este dispensa apresentações. Apesar dos donuts recheados serem maravilhosos, eu ainda prefiro os mais simples.

Ir no Jamie’s Italian na hora em que bate a vontade

Jamie's Italian

Esta é talvez uma das coisas que MAIS sinto falta. Como eu amava esse restaurante. Não é só porque tem assinatura do Jamie Oliver, mas porque a comida é ótima e o ambiente mais bacana ainda.

Tem ainda: Pegar o metrô vazio em High Barnet, os self-service checkouts (que jamais dariam certo no Brasil), os passeios pelo Borough Market aos sábados e com o calor surreal que anda fazendo nessa cidade, o que eu mais sinto falta é da:

NEVE! Sua linda!

Neve

Ah a neve. Fica linda nas fotos, mas se torna um caos quando você precisa sair de casa. Por várias vezes me vi reclamando dela, mas tudo que eu queria agora era uma neve caindo lá fora, ao invés deste calor dos infernos.

Alguém me manda pra Londres de volta?

Spotify, Deezer ou Rdio, qual o melhor?

Os serviços de streaming de música parecem que finalmente estão ganhando mais espaço no Brasil. Eu virei uma fiel cliente há cerca de três anos, quando fiz uma assinatura da Rdio. Na época, não existia Deezer por aqui e Spotify só com muita gambiarra. Ah, teve o Grooveshark, mas o bonitinho nunca me conquistou de verdade.

Spotify, Rdio ou Deezer

No Rdio, o que mais me chamava a atenção era poder usar um aplicativo tanto no celular quanto no PC para criar playlists, organizar músicas, etc. Gostava muito do que usava, mesmo xingando todos os deuses pelo super hiper lerdo aplicativo do Rdio no PC. No smartphone, funcionava de boa, mas no computador… era preciso muita, mas muita paciência!

Até que em um belo dia, fui passar um período em Londres e por lá não precisava de nenhuma gambiarra para usar o Spotify. Pra mim, sairia mais barato que o Rdio e o player era infinitamente superior! O melhor, neste mesmo player eu poderia adicionar as músicas que eu já tinha no computador e desta forma não precisaria usar iTunes, Music Bee ou qualquer outro player de música. Só por isso o Spotify ganhou inúmeros pontos comigo. Simplificar a vida é bom né?!

Aí voltei pro Brasil e mesmo podendo usar o Spotify Premium por aqui, conheci o Deezer. Cheguei a assinar o serviço por um mês, mas… dos três foi o que menos me agradou.

Aliás, já não me agradou logo de cara por não ter um player para o serviço. Pagando ou não, você só pode usar o Deezer no navegador ou então em aplicativos para celular e tablet. Pode parecer simples, mas pra mim, faz muita diferença.

Enfim, qual o melhor, Spotify, Deezer ou Rdio?

Pra mim, de longe, o Spotify. Mesmo não tendo uma biblioteca nacional muito extensa, ela vem crescendo muito nos últimos meses (até o CD da tal Banda Malta já tem) e a tendência do serviço é melhorar cada vez mais. O Rdio ficaria em segundo lugar pois o seu player ainda não permite a inclusão de músicas que eu já tenho no computador. E até a última vez que testei o serviço, o player ainda era extremamente lento.

O Deezer… bom, quando o Deezer disponibilizar um player, eu posso voltar a considerá-lo novamente.

Vale lembrar que esta é a minha opinião. Com certeza existem pessoas que preferem o Rdio ou outras que preferem o Deezer ou até o saudoso Grooveshark. Falando a verdade, melhor é aquele que sempre te atende bem.

Há nove anos

Há nove anos atrás eu acordei, em uma segunda-feira ensolarada, com um telefonema às 8:30 da manhã. Faz tanto tempo, mas eu lembro de todos os detalhes daquela manhã como se fosse ontem.

Do outro lado da linha, era a funcionária do hospital onde minha mãe estava internada. Ela não precisou dizer nada. Para o telefone tocar, tão cedo, não poderia ser coisa boa.

E não era.

Saí de casa em direção ao hospital. Na época, morava em Copacabana. O hospital ficava na Gávea. Mas aquela jornada dentro do táxi demorou tanto tempo que parecia que eu estava em uma viagem do Rio de Janeiro para qualquer cidade do nordeste, de tanto que demorava.

Cheguei no hospital, me encaminharam para uma sala e lá ouvi o que jamais queria ouvir. Depois de uma semana internada, minha mãe tinha perdido a luta para a diabetes e o meu mundo desabou. Era a primeira “pessoa próxima”que me deixava de repente. Tá, minha vó e uma tia faleceram anos antes, mas elas não conviviam tanto comigo e mãe é mãe. Na hora, só fiquei pensando em como seria ter que cuidar do meu pai, sozinha e o pior, como eu daria aquela notícia para um senhor de 81 anos na época. Como seria viver sem a Dona Luzia a partir daquele dia?

Há nove anos

Minha mãe foi uma das pessoas mais generosas que conheci. Por muitas vezes ela realizava meus desejos mesmo sem poder. Eu um dia quis um Master System, ela foi lá, sacou dinheiro da poupança e me deu de presente. Eu queria uma bicicleta “com marchas”, mais uma vez ela foi lá na poupança e realizou o desejo da filha. Mas isso não era só comigo. Ela sempre deixava de comprar ou fazer as coisas pra ela, para poder ajudar os outros. Sem pedir nada em troca. Nada mesmo.

Depois que ela faleceu, fiquei sabendo de histórias de pessoas que ela ajudava na igreja, de uma amiga próxima que ela ajudava sempre que podia e coisas do tipo.

Minha mãe também me salvou várias vezes de levar broncas épicas do meu pai.

Uma pena ela ter ido tão cedo, pois assim eu jamais consegui realizar alguns de seus sonhos, como ela realizou vários meus durante o período em que estivemos juntas. Se tem uma outra coisa que ficou faltando entre nós, foi uma conversa franca para me expor. Esse é um dos maiores arrependimentos que tenho na vida.

Minha mãe era uma católica daquelas bem praticantes e se fiz Primeira Comunhão foi por causa dela. Eu nunca liguei pra religião e nunca vi um propósito naquilo. Sendo assim, dá pra imaginar que ela procurava “seguir as leis da igreja”. Por isso, eu fui sempre adiando a tal conversa pra depois. Mas, sejamos sinceras. Mãe sempre conhece o filho, nesse caso a filha, muito bem. Eu não contei com todas as letras para minha mãe que eu estava em um relacionamento, mas tenho certeza que ela sabia disso muito bem.

E hoje, nove anos depois, o sentimento não é de tristeza, mas sim de saudade. A saudade nunca passa. Mas a tristeza que me abateu naquela segunda-feira, dia 22 de agosto de 2005, foi-se embora no momento em que eu percebi que a Dona Luzia não gostava de tristeza. E pra falar a verdade, eu também não. A vida continua, apenas sem a presença de algumas pessoas que amamos por perto fisicamente, mas sempre no coração.

Eu já disse que não quero ter filhos?

Cá estou eu curtindo os meus 35 anos. Geralmente a sociedade diz que nesta idade, você já deve estar casada, com filhos, um emprego estável, formado com mestrado, doutorado e tudo mais que o mundo educacional mandar.

Minha mãe era uma pessoa que pensava justamente assim. Provavelmente se estivesse viva, hoje uma das maiores discussões que eu teria com ela era sobre o fato de eu ter decidido lá pelos meus 15 anos que jamais queria filhos. Eu era filha única por parte de mãe e me lembro até hoje de quando “a comuniquei” da minha decisão pela primeira vez. Claro que ela veio com o papo de que eu era muito nova e que eu mudaria de ideia depois.

Só que eu não mudei.

E não querer ter filhos não significa não gostar de crianças. Eu gosto.

Tive duas sobrinhas e um sobrinho. Mas minha relação com meu irmão sempre foi (muito) complicada e ele tratou de me privar da convivência com os três. Mas isso é assunto para outro post.

E eu também gostaria de saber o motivo pelo qual muita gente acha que o fato de decidir não ter filhos está totalmente relacionado a não gostar de crianças.

Eu nunca pensei em ter filhos por dois simples motivos:

– Liberdade
– Questão financeira

Filhos

Parte 1: A Liberdade

Eu, filha de português e com um irmão (por parte de pai) 16 anos mais velho, sempre vivi sob uma sombra totalmente machista. Eu não poderia sair com os amigos antes dos 18 anos, a prioridade da casa sempre era pro irmão homem e mais velho e coisas do tipo. Mulher não pode isso, mulher não pode aquilo.

Felizmente minha mãe salvava minha pele em várias situações.

Talvez por ter passado boa parte da minha vida vivendo uma situação assim, decidi que quando fosse dona do meu próprio nariz, eu faria o que eu quisesse, a hora que quisesse, do jeito que eu quisesse.

Imagina ter um filho e ter que perder “essa tal liberdade” que eu sempre quis. Thanks. But, no thanks.

A melhor coisa do mundo é poder ter a sua vida e viver do jeito que você quiser. E filhos, por mais que sejam família, acabam com qualquer liberdade. E não tentem me convencer do contrário.

Parte 2: O lado financeiro

Felizmente desde 2006 eu trabalho com o que eu gosto. É verdade que parei nesse mundo “bloguístico” por conta de um momento triste na minha vida, mas tenho certeza que hoje minha mãe se orgulha de mim. Foram só 26 anos de convivência, mas ela conseguiu me ensinar muita coisa.

Meu trabalho não tem garantias. Eu gosto de viver assim. Eu já trabalhei batendo cartão de ponto e com horários definidos. Era bacana ter o salário garantido, benefícios e tal. Mas já parou pra pensar que se você não é funcionário público pode ser demitido a qualquer momento? Então. Eu vivo a adrenalina de não saber quanto vai ser o meu salário mês que vem, mas levo isso numa boa.

Agora imagina se eu tivesse filhos.

Seria obrigada a manter um emprego que me deixava cansada demais, me fazia perder mais de quatro horas todos os dias no trânsito e ainda assim conviver com a sombra da demissão me acompanhando o tempo todo.

O seguro desemprego só dura no máximo, seis meses. E depois? Como alimentar aquele filho? Como pagar escola, alimentação, vestuário?

Eu acho que jamais conseguiria manter toda essa responsabilidade.

Sozinha, eu consigo me virar. Posso fazer “um bico” e garantir o alimento daquele dia. Para ter um lugar para dormir e um prato de comida para comer, só dependo unicamente de mim. Posso viver um dia de cada vez.

Agora, por que quem não tem filhos é quase considerado um criminoso?

Se eu respeito a vontade de quem quer e tem filhos, por que a minha na maioria das vezes não é respeitada?

Assim como existem pessoas que são felizes com filhos, existem aquelas que também são felizes sem filhos. O problema é que muita gente ainda não entendeu isso.