Eu já disse que não quero ter filhos?

Cá estou eu curtindo os meus 35 anos. Geralmente a sociedade diz que nesta idade, você já deve estar casada, com filhos, um emprego estável, formado com mestrado, doutorado e tudo mais que o mundo educacional mandar.

Minha mãe era uma pessoa que pensava justamente assim. Provavelmente se estivesse viva, hoje uma das maiores discussões que eu teria com ela era sobre o fato de eu ter decidido lá pelos meus 15 anos que jamais queria filhos. Eu era filha única por parte de mãe e me lembro até hoje de quando “a comuniquei” da minha decisão pela primeira vez. Claro que ela veio com o papo de que eu era muito nova e que eu mudaria de ideia depois.

Só que eu não mudei.

E não querer ter filhos não significa não gostar de crianças. Eu gosto.

Tive duas sobrinhas e um sobrinho. Mas minha relação com meu irmão sempre foi (muito) complicada e ele tratou de me privar da convivência com os três. Mas isso é assunto para outro post.

E eu também gostaria de saber o motivo pelo qual muita gente acha que o fato de decidir não ter filhos está totalmente relacionado a não gostar de crianças.

Eu nunca pensei em ter filhos por dois simples motivos:

– Liberdade
– Questão financeira

Filhos

Parte 1: A Liberdade

Eu, filha de português e com um irmão (por parte de pai) 16 anos mais velho, sempre vivi sob uma sombra totalmente machista. Eu não poderia sair com os amigos antes dos 18 anos, a prioridade da casa sempre era pro irmão homem e mais velho e coisas do tipo. Mulher não pode isso, mulher não pode aquilo.

Felizmente minha mãe salvava minha pele em várias situações.

Talvez por ter passado boa parte da minha vida vivendo uma situação assim, decidi que quando fosse dona do meu próprio nariz, eu faria o que eu quisesse, a hora que quisesse, do jeito que eu quisesse.

Imagina ter um filho e ter que perder “essa tal liberdade” que eu sempre quis. Thanks. But, no thanks.

A melhor coisa do mundo é poder ter a sua vida e viver do jeito que você quiser. E filhos, por mais que sejam família, acabam com qualquer liberdade. E não tentem me convencer do contrário.

Parte 2: O lado financeiro

Felizmente desde 2006 eu trabalho com o que eu gosto. É verdade que parei nesse mundo “bloguístico” por conta de um momento triste na minha vida, mas tenho certeza que hoje minha mãe se orgulha de mim. Foram só 26 anos de convivência, mas ela conseguiu me ensinar muita coisa.

Meu trabalho não tem garantias. Eu gosto de viver assim. Eu já trabalhei batendo cartão de ponto e com horários definidos. Era bacana ter o salário garantido, benefícios e tal. Mas já parou pra pensar que se você não é funcionário público pode ser demitido a qualquer momento? Então. Eu vivo a adrenalina de não saber quanto vai ser o meu salário mês que vem, mas levo isso numa boa.

Agora imagina se eu tivesse filhos.

Seria obrigada a manter um emprego que me deixava cansada demais, me fazia perder mais de quatro horas todos os dias no trânsito e ainda assim conviver com a sombra da demissão me acompanhando o tempo todo.

O seguro desemprego só dura no máximo, seis meses. E depois? Como alimentar aquele filho? Como pagar escola, alimentação, vestuário?

Eu acho que jamais conseguiria manter toda essa responsabilidade.

Sozinha, eu consigo me virar. Posso fazer “um bico” e garantir o alimento daquele dia. Para ter um lugar para dormir e um prato de comida para comer, só dependo unicamente de mim. Posso viver um dia de cada vez.

Agora, por que quem não tem filhos é quase considerado um criminoso?

Se eu respeito a vontade de quem quer e tem filhos, por que a minha na maioria das vezes não é respeitada?

Assim como existem pessoas que são felizes com filhos, existem aquelas que também são felizes sem filhos. O problema é que muita gente ainda não entendeu isso.